28 Dez 2016
Inapa compra Papyrus France

No passado dia 20 de Dezembro, o Grupo Inapa concluiu a aquisição da operação francesa da Papyrus, anunciada em setembro deste ano, e desinvestiu da operação suíça.

Com a aquisição da Papyrus France, centrada na distribuição de papel para o sector gráfico e de escritório, o Grupo Inapa reforça a sua presença no mercado francês, duplicando assim a sua facturação para mais de 300 milhões.

Em entrevista ao Jornal de Negócios, o presidente executivo do Grupo Inapa, Diogo Rezende, explica este passo importante na estratégia do grupo.

Jornal de Negócios: Porquê investir em França, nesta altura, comprando a actividade da Papyrus nesse mercado?

Diogo Rezende: O sector e a dinâmica do sector em que nos inserimos fazem com que seja absolutamente necessário um processo de consolidação dos actores nos diversos mercados. E neste aspecto a Inapa, muito activa, tem, como se demonstra agora, liderado este processo que é algo que se vai estender a mais players do mercado, e a mais mercados. Neste momento o que conseguimos foi reforçar a nossa posição num dos maiores mercados da Europa, onde conseguimos adicionando a nossa actividade (Inapa França) com a actividade da Papyrus França, uma posição de liderança, que nos permitirá assegurar que já estamos dentro da escala de eficiência, numa posição solidamente eficiente. E isso traduz-se ao nível de custos e sobretudo de custos de distribuição – permite-nos uma poupança muito substancial…

Jornal de Negócios: É possível contabilizar?

Diogo Rezende:Estamos sempre a falar de uma escala de alguns milhões de euros de poupanças só em distribuição e na cadeia de fornecimento. O que é visto e dois momentos: o do transporte, e os custos de transporte em França são muito significativos quando comparados com outros países; mas também em termos de operações de armazenagem, onde é possível alcançar algumas sinergias claras. Esses dois efeitos são alcançáveis no curto prazo, mas optimizáveis ao longo de um período maior.

Jornal de Negócios: Vai ter já impacto nas contas de 2017?

Diogo Rezende:Terá certamente impacto nas contas de 2017. Dois impactos de sinal contrário: um são os custos com essa reestruturação, e o segundo são as sinergias alcançáveis com essa reestruturação – terão impacto nas contas de 2017 e esse impacto será visível também nas contas de 2018. A estabilização deste processo entra certamente também no [exercício] de 2018.

Jornal de Negócios: Dos dados já conhecidos, aquando do vosso anúncio preliminar sobre a Papyrus, apontavam para um aumento de 10 pontos percentuais no peso das vendas?

Diogo Rezende:Por facilidade de referência, visto serem de um ano fechado, a Inapa facturou cerca de 165 milhões de euros em França e a Papyrus em França facturou cerca de 156 milhões de euros. Estamos a falar praticamente de uma duplicação do volume de negócios da Inapa em França.

Jornal de Negócios: Há alguma compra que seja comparável, em termos de dimensão, no passado recente da Inapa? A Korda foi uma das consideradas maiores.

Diogo Rezende:A Korda foi uma compra significativa, mas penso que deveria andar à volta de 30 milhões de euros de vendas quando foi adquirida. Isto é cinco vezes mais. Para irmos a uma operação desta dimensão temos que remontar a 2000, com a compra da Papier Union.

Jornal de Negócios: É, portanto, um esforço estratégico?

Diogo Rezende:É uma decisão e um movimento estratégico de enorme impacto para a empresa, não só a aquisição em França, mas também a saída da Suíça. Nós somos muito realistas ao olhar para as nossas posições nos diversos mercados em que estamos. E da mesma forma que reconhecemos que era possível, ficou demonstrado, e sê-lo-á nos próximos meses visível esse impacto de termos entrado noutra dimensão de escala de eficiência em França. Também tínhamos de olhar de forma realista para a situação na Suíça, e perceber que era muito difícil atingirmos uma posição na escala de eficiência que nos permitisse ter uma operação sólida nesse mercado. Tanto é estratégico o duplicar a nossa posição em França, quanto o é sair do mercado suíço, com todos os cuidados que tivemos em assegurar que as operações aí continuam, que os colaboradores, os fornecedores, e os clientes da Inapa na Suíça continuam a ser perfeitamente tratados.

Leia a entrevista do Jornal de Negócios na íntegra na edição de 20 de Dezembro de 2016 às 09:38.